Anuncios
Mais um encontro dia 1 de Dezembro 2011 em Tomar
Radio
Découvrez la playlist Techno Parade 2009 avec Sander Kleinenberg
Buscar
 
 

Resultados por:
 


Rechercher Busca avançada

Galeria



Mensagem Sérgio Duarte aliàs "Palito" (anos 60)

Ir em baixo

Mensagem Sérgio Duarte aliàs "Palito" (anos 60)

Mensagem  chana-cna em 2009-09-17, 18:53

Transncrevo, a pedido do n/ colega Sérgio Duarte "Palito" (anos 60)
Porto Alegre Brasil




Cair no Colégio Nun'Álvares de Tomar obedecia a uma coisa,
nós não nos conseguirmos adaptar às formas de ensino existentes na época.
Era o último reducto.
Caí no "colégio dos castigados".
A minha briga nem era contra o sistema.
Desde Luzito pertenci à Mocidade Portuguesa.
Mais tarde à Legião da Mocidade Portuguesa, depois ao Exército, donde nem fui
demitido por andar a negociar batata em Angola.
O meu problema é que andava num colégio salesiano, onde fazia perguntas que incomodavam
esses gajos de batina branca, barbas pelo peito, o P. Alírio até usava um cavanhaque preto (homem bom)
e o danado do ruivo P. Moisés uma barba ruiva e profética que, insconsientemente,
me faz lembrar imagens do Van Gogh e até o Inferno de Dante.
O homem era mau.
Um dia deu porrada selváticamentenum adolescente negro, a pontapé e o pobre caído no chão,
porque supunha que ele tinha roubado vinho de uma garrafa.
Olhar feroz, raiva, ódio.
Deve ter morrido.
Que o Diabo o faça sofrer pela sua raiva.
Para passar num simples 2º ano do Liceu, o meu pai foi obrigado a propor-me a exame, porque eles não queriam.
Felizmente passei, malgrado as minhas dificuldades de mau ensino.
Houve um dia em que o meu professor de matemática, P. Soares (outro danado), teve a coragem de me deitar em cima da secretária e humilhar-me perante os meus colegas e dizer perante a turma que eu apenas servia para bombo e o meu pai para tocar acordeon, quando esse mesmo pai tinha-se agarrado ao órgão electrónico da Catedral de Nossa Senhora de Fátima e tocado a Missa de Sagração, um Te Deum Laudamus, na presença do Presidente da República, Marechal Francisco Higino Craveiro Lopes, curiosamente nascido a 12 de Abril como eu.
Segui para Tomar, onde o Professor Doutor Raul Lopes me recebeu com aquele olhar analítico, sem confiança.
O meu tio Eduardo deixou-me à sua confiança e eu a ver onde tinha caído.
À tarde, fiquei no "muro das lamentações" e finalmente entrei no seu gabinete.
Sentado atrás da sua mesa, atrás dele uma estátua de D. Nuno Álvares Pereira, disse-me sem perguntar que estava ali por mal comportado.
Olhos nos olhos respondi-lhe incontinente que estava ali porque não gostava de padres.
Nem sei o que terá pensado...
Passou-se o tempo.
Esse grande homem, que conseguia dar três aulas de matemática em três salas diferentes, com diferentes graus de desenvolvimento e em 60 minutos, ensinou-me matemática a ponto de compreender a sua abstração.
Deixáva-nos um problema, ia para a outra e desenvolvia, deixávam-os a pensar e seguia para a terceira e assim sucessivamente.
Não foi por acaso que passei em Santarém com uma nota que dispensou a oral.
Bem...
Um dia aconteceu que que sacaneei um colega, mandando-lhe uma canelada, quando estávamos formado para o jantar.
Nós formávamos à esquerda e à direita e os prefeitos no centro.
Quem se portava mal saia para o pé dos "algoses", prefeitos.
Alguns até eram bem nossos amigos.
Havia sempre uma conversa a sotto voce, um murmúrio, mas quando chegava o Dr. Raul, o silêncio era absoluto.
Aquele olhar arguto e poderoso do beirão impunha respeito.
Eu estava no centro.
Quando entrávamos na sala de refeições, os do centro ficavam alinhados ao pé da mesa dos professores, lado Sul, onde me lembro de ver na parede belos pratos de faiança artesanal portuguesa.
Os outros comiam e a gente ficava a olhar e para o fim (o que já era castigo na opinião pública da malta), depois de falarmos com o Dr. Raúl, que nos julgava na hora e daí dependia o nosso castigo, que seriam horas suplementares de estudo e a proibição de sair ao domingo.
Depois da minha justificação, lembro-me das suas palavras.
"Memento, às democracias sucedem-se as ditaduras. Quando as ditaduras falham por excesso, instauram-se as democracias. Quando estas falham, sucedem-se as ditaduras, por necessidade e assim por diante".
Palavra que nem o entendi, mas hoje compreendo-o.
Do Colégio Nun' Álvares saíu um Durão Barroso, um Salgueiro Maia, um Raul Zagalo, um Rui Monteiro, autor dos Meninos do Huambo e tantos outros.
Aquilo não era o Colégio Moderno, que pariu anómalos.
Obrigado Dr. Raul.
Deus o tenha em descanso.
Complementou os princípios que os meus pais me deram.
Ser frontal e não ter medo de o ser.
Como ele dizia, "Ou vai, ou racha".
Sérgio.











PS: A segunda parte fica para o Hospital Cristo Redentor, para o Grupo Hospitalar Conceição e para a PUC, Pontifical Univerisdade Católica, de Porto Alegre.
Há muito que contar e vou contá-lo.

Faça-se circular.

Aquele abraço do
Sérgio
avatar
chana-cna


Voltar ao Topo Ir em baixo

Voltar ao Topo

- Tópicos similares

 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum